"Possuidora de uma alta consciência do que faz, levada por um notável instinto para a apaixonada eleição dos seus assuntos e da sua maneira, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. Era natural que elas surgissem no acanhamento da nossa vida artística. A impressão inicial que produz nos seus quadros é de originalidade e de diferente visão. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. A sua arte é a negação da cópia, a ojeriza da oleografia.
Diante disso, surgem desencontrados comentários e críticas exarcebadas. No entanto, um pouco de reflexão, desfaria, sem dúvida, as mais severas atitudes. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir. Anita Malfatti é um temperamento nervoso e uma intelectualidade apurada, a serviço de seu século. A ilusão que ela constrói é particularmente comovida, é individual e forte e carrega consigo as próprias virtudes e os próprios defeitos da artista.
Onde está a realidade, perguntarão, nos trabalhos de extravagante impressão que ela expõe?
A realidade existe mesmo nos mais fantásticos arrojos criadores, é isso justamente que os salva. (...) "
A realidade existe mesmo nos mais fantásticos arrojos criadores, é isso justamente que os salva. (...) "
OSWALD DE ANDRADE. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Comércio. Notas de Arte. São Paulo, 11 de janeiro de 1918.
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A coluna Tupi or not tupi tem por fim divulgar as artes plásticas no Brasil a partir da Semana de Arte Moderna de 1922 até a contemporaneidade. Saiba mais sobre esta coluna aqui.
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